Grupo de Pesquisa da Pós-Gradução em Ciências da Comunicação da ECA/USP

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Livro, memória e recordações

Dentre os instrumentos inventados pelo homem, o mais impressionante é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da visão; o telefone uma extensão da voz e finalmente temos o arado e a espada, ambos extensões do braço. O livro, porém, é outra coisa. O livro é uma extensão da memória e da imaginação. Em César e Cleópatra de Shaw, quando se fala sobre a biblioteca de Alexandria , os livros são descritos como a memória da humanidade. O livro é isto e muito mais, é também a imaginação. O que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Afinal que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? A função do livro é recordar.

O Livro – de Jorge Luiz Borges

Consciência

A memória já entrou em sua consciência, mas é preciso descobri-la. Surgirá nos sonhos, na vigília, ao virar as folhas de um livro ou ao dobrar a esquina. O senhor não se impaciente, não invente lembranças. O acaso pode favorecê-lo ou atrasá-lo, segundo seu misterioso modo. À medida que eu vá esquecendo, o senhor recordará. Não lhe prometo um prazo.

BORGES, Jorge Luis. Obras completas vol. 3. São Paulo: Globo, 1999. 576 p.; 21,5 cm. p. 447

O passado antecipa o futuro

“…se a consciência retém o passado e antecipa o futuro, é precisamente, sem dúvida, porque ela é chamada a efetuar uma escolha: para escolher, é preciso pensar no que se poderá fazer e lembrar as conseqüências, vantajosas ou prejudiciais, do que já foi feito; é preciso prever e recordar.

Henry Bergson, citado em Bergson: A Consciência e a Vida por Marcos Lyra

Interação social

Os signos só emergem, decididamente, do processo de interacção entre uma consciência individual e uma outra. E a própria consciência individual está repleta de signos. A consciência só se torna consciência quando se impregna de conteúdo ideológico (semiótico) e, consequentemente, somente no processo de interacção social

Bakhtin, M; Marxismo e filosofia da linguagem,SP, Hucitec, 1990 p34

Memória: passado e presente

Constantemente inibida pela consciência prática e útil do momento presente, isto é, pelo equilíbrio sensório-motor de um sistema estendido entre a percepção e a ação, essa memória aguarda simplesmente que uma fissura se manifeste entre a impressão atual e o movimento concomitante para fazer passar aí suas imagens. Em geral, para remontar o curso de nosso passado e descobrir a imagem-lembrança conhecida, localizada, pessoal, que se relacionaria ao presente, um esforço é necessário, pelo qual nos liberamos da ação a que nossa percepção nos inclina: esta nos lançaria para o futuro; é preciso que retrocedamos no passado. Nesse sentido, o movimento tenderia a afastar a imagem. Todavia, por um certo lado, ele contribui para prepará-la. Pois, se o conjunto de nossas imagens passadas nos permanece presente, também é preciso que a representação análoga à percepção atual seja escolhida entre todas as representações possíveis. Os movimentos efetuados ou simplesmente nascentes preparam essa seleção, ou pelo menos delimitam o campo das imagens onde iremos colher. Devido à constituição de nosso sistema nervoso, somos seres no quais impressões presentes se prolongam em movimentos apropriados: se antigas imagens vêm do mesmo modo prolongar-se nesses movimentos, elas aproveitam a ocasião para se insinuarem na percepção atual e fazerem-se adotar por ela. Com isso aparecem de fato à nossa consciência, quando deveriam de direito permanecer cobertas pelo estado presente. Poderíamos portanto dizer que os movimentos que provocam o reconhecimento automático impedem por um lado, e por outro favorecem, o reconhecimento por imagens. Em princípio, o presente desloca o passado. Mas, justamente porque a supressão das antigas imagens resulta de sua inibição pela atitude presente, aquelas cuja forma poderia se enquadrar nessa atitude encontrarão um obstáculo menor que as outras; e, se, a partir de então, alguma delas for capaz de superar o obstáculo, é a imagem semelhante à percepção presente que irá superá-lo.

BERGSON, Henri (1859-1941). Matéria e Memória. 2a ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999; p. 107 a 108

Memória

 cone da memória de bergson

 

Na base P temos a realidade presente, em AB temos a memória, em SAB temos o ponto de contato entre percepção, memória e a realidade presente. Com o tempo a distância entre S e AB aumenta, mas o contato com a realide nunca é um perceber puro, desconectado de AB.
Aspecto importante da teoria: a memória responde ao chamado do presente. É o tipo de coisa que vinculo à posição de Ludlow (na posição de Burge a memória responde ao chamado do passado, por assim dizer).
(A partir de Ecléa Bosi, Memória e Sociedade, pp. 47-48.)

In Defense of Piracy

Digital technology has made it easy to create new works from existing art, but copyright law has yet to catch up.
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Copyright law must be changed. Here are just five changes that would make a world of difference:

  • Deregulate amateur remix
  • Deregulate “the copy”
  • Simplify
  • Restore efficiency
  • Decriminalize Gen-X